quarta-feira, 21 de maio de 2014

Mulheres nuas em peças de propaganda - caso Arezzo

Há dois dias me deparei com uma campanha de propaganda promovida pela Arezzo com a modelo Fernanda Lima. Polêmica, mas não de forma inédita, a campanha utiliza-se de uma modelo nua, utilizando apenas os itens que quer promover, que no caso são sapatos e bolsas.

Pus alguma dessas peças em minha timeline do Facebook e provoquei meus contatos a respeito dessa peça. A reação não foi das melhores. Muitas queixas a qualidade dos produtos dessa marca, que segundo informado, não são confortáveis para quem os usa e o acabamento também não parece ser dos melhores. Mesmo assim, a marca constitui uma das maiores grifes voltadas ao público feminino.

Entretanto, o que mais chama a atenção, logicamente, é o fato da modelo estar nua, esbanjando sensualidade. Muitos são os questionamentos e afirmações, declarando que não é necessário estar nua para vender essas peças. De fato, não são. Mas depende também do que a marca quer vender.

Quando a gente compra um produto, a gente compra mais do que um bem de consumo. Em geral, a gente compra uma filosofia, um estilo de vida associado a esse produto. Toda marca tem por desafio fazer com que o consumidor se identifique com o seu produto.

Marcas de cigarro no passado, com cifras milionárias, tentaram vender estilos de vida. Seja do cara atleta e cheio de desafios que praticava esportes radicais ou automotivos, seja do cara que sabe o que quer, com "questões de bom senso" (refiro-me a Malboro e Free, respectivamente). E ainda hoje a gente vê, por exemplo, Gisele Bündchen comprando na C&A (pelo menos no comercial de TV) e pensa: se não posso ter a beleza e a fortuna dela, pelo menos vou vestir a mesma roupa.


Aí está a explicação para esta peça. O que ela propõe para aqueles que ela imagina serem seu público-alvo, seus clientes potenciais, é que se usarem seus produtos, serão tão lindas e exuberantes, independentemente de qualquer outra peça de roupa que use.

Para muitas mulheres a peça choca. Choca porque pode ser interpretada como mulher objeto. É o seu corpo que está ali. E, ainda que seja voltada para o público-feminino, está propondo o corpo como valor a ser estimado e adorado. Entretanto, não obstante a todas as conquistas obtidas pelas mulheres no mundo atual, o seu corpo continua sendo usado para conseguir o que quer. 

Quanto aos homens, não precisa comentar - colírio aos olhos. Qualquer um deles que tenha uma mulher assim ao seu dispor, não vai se importar em presenteá-la com produtos dessa marca.