terça-feira, 25 de junho de 2013

O que é um Plano de Negócios e para que serve?

Talvez muito mais estudantes do que empreendedores venham a encontrar esse artigo. Isso ajuda a entender  a razão pela qual a maior parte das empresas de pequeno porte (cerca de 58%) fecha as portas antes de completar cinco anos de atividade. Na realidade, já nos primeiros dois anos, 24,4% encerra suas atividades.

Esse índice de mortalidade das empresas nos dois primeiros anos é ainda maior se considerarmos o universo das empresas do Nordeste (28,7%). O Estado de Pernambuco possui, ainda, um dos índices mais altos de todo o território nacional.

A fonte desses números vem de quem tem a maior base de dados nacional sobre micro e pequenas empresas: o Sebrae, em seu último levantamento (em 2013). Ainda segundo o Sebrae, o principal motivo de fechamento das empresas é a falta de planejamento!

Geralmente, é quando a empresa não dá certo que o empreendedor busca as razões. Mas, com recursos e reputação de mercado mais escassos, geralmente é bem tarde e dispendioso reverter o quadro. Mesmo que agora já entenda os riscos de se abrir um negócio com informações intuitivas e limitadas sobre clientes, concorrentes, capital e demais recursos financeiros, burocracia e impostos.

Não há lugar para amadores no mundo dos negócios. Não dá pra ser intuitivo. É preciso mais do que um estalo de uma ideia que parece ser genial. É preciso um amplo estudo que confirme as percepções que originaram a ideia. É preciso confirmar que a ideia é técnica e financeiramente viável, que existe um público-alvo real ou latente que possa pagar pelo produto (bem ou serviço), que os diferenciais de seu produto se justificarão no mercado, diante da oferta existente de produtos dos concorrentes, dentre uma série de outros fatores que, em cadeia, poderão justificar a abertura da empresa num determinado momento ou, ainda, que embora a ideia seja boa, o momento não é propício.

Uma vez validados que existe um público-alvo apto a adquirir o produto nos lugares onde ele poderá estar disponível para venda, é preciso também saber como levá-lo até lá, como fazer com que o cliente receba a mensagem certa, numa linguagem apropriada, que lhe desperte o interesse. A empresa tem uma alma, uma cultura, que precisa ser bem definida e atraente.

Esse estudo, construído de forma sistêmica e intensa, de forma teimosa e até obsessiva, é o que chamamos de Plano de Negócios. O tema, os principais argumentos que poderiam ser utilizados para que o empreendedor possa convencer um possível investidor de que a empresa é viável precisam estar esgotados, até que reste apenas a convicção posta sobre um chão concreto, alicerçado sobre fortes dados de mercado.

Sendo viável o negócio, a empresa pode ser aberta. E, mesmo que não seja, o Plano de Negócios terá cumprido seu propósito: embora se tenha "perdido" um tempo no levantamento de dados, análise de mercado e até algum dinheiro também, certamente foi muito menos do que se tivesse aberto a empresa de imediato e depois de alguns meses tivesse que decretar a falência. O custo e o tempo perdido teria sido muito superior.

Em resumo, para novos empreendimentos, o Plano de Negócios existe para:
• verificar a viabilidade do negócio frente às mais diversas variáveis de mercado (clientes, concorrentes, fornecedores; fatores demográficos, culturais, econômicos, políticos; dentre outros)
• fornecer informações, por parte do empreendedor, a um possível investidor que empregará seus recursos no negócio
• orientar a empresa nos primeiros passos, evitando que a empresa siga de forma intuitiva, permitindo ajustes ao longo das atividades.

No próximo artigo publicaremos sobre a importância de um plano de negócios para empresas que já estão em funcionamento.