quarta-feira, 10 de abril de 2013

Os relacionamentos no mundo corporativo - entre serpentes e pombos

"Os relacionamentos são os únicos bens verdadeiros de uma empresa" (Ian Gordon, 1999)". Esta é uma das principais referências de gestão que costumo utilizar na área de gestão estratégica e comunicação. Porque gestão envolve pessoas, e pessoas têm necessidades específicas, dentre as quais a de se relacionarem positivamente umas com as outras.

Antes de sermos profissionais, somos pessoas. Nós temos uma origem familiar, temos amigos de infância, dentre muitos outros tipos de relacionamentos dentre os quais insere-se os relacionamentos profissionais.

Com esses outros relacionamentos, há também outras necessidades, como a necessidade de passar momentos com o cônjuge, de participar do crescimento dos filhos, de participar de ações sociais por um mundo melhor (seja numa ONG seja numa Igreja), dentre outras formas de realização que, geralmente, complementam o sucesso profissional do indivíduo.

Os amigos se importam com todas essas dimensões de sua vida. Os colegas importam-se apenas com aquilo que lhes diz respeito a atividades profissionais.

Ainda há gente que se encontra em conflito sobre acrescentar ou não os colegas de trabalho em suas redes sociais. Não seria simplesmente o caso de se perceber em que âmbito de suas vidas esses relacionamentos estão inseridos? Se analisar por um instante, verá que não é tão difícil assim distinguir esses relacionamentos.

Entretanto, há de se cuidar de forma especial com os mercenários, que se aproximam de você com toda a intensidade, num momento oportuno (para eles), a fim de extrair uma grande vantagem (para eles). Esses mesmos indivíduos, depois de obterem que desejam, sumirão de sua vida e não transmitirão nenhuma empatia no futuro, como se mal lhes conhececem.

Há parceiros, no âmbito profissional, que ficarão restritos a essa área de suas vidas, mas apresentarão oportunidades em que será muito vantajosa para você, outras oportunidades em que serão muito vantajosas para eles, mas que no geral e a longo prazo, serão valiosas para os dois lados.

Há de se distinguir destes, ainda, aqueles que serão parceiros uma única vez, pois na primeira oportunidade, passarão-lhe a perna, cobrando de você resultados que não foram prometidos, em troca de benefícios que nunca serão dados.

É preciso estar atento a tudo isso, pois o mundo corporativo é predador. Tudo mundo quer ser feliz em todas as dimensões de suas vidas, o que faz diferença é o preço e o uso da ética que se está disposto a lançar mão no caminho.

A tarefa é tão desafiadora que vale a pena buscar uma sabedoria sobrenatural, vinda do Alto, para se escapar das artimanhas e obter sucesso. Nesse sentido, valem as palavras do Mestre, que indica o caminho: "Sede astutos como as serpentes e simples como os pombos" (Mt 10,16).