terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A Geração Baby Boom

Imediatamente após a Segunda Guerra Mundial as forças armadas devolveram aos seus lares os homens engajados nas batalhas, o que resultou numa explosão de nascimento de bebês em pouquíssimo espaço de tempo. Embora isso tenha ocorrido de uma forma mais intensa nos Estados Unidos, no Canadá e na Austrália, outros países passaram por experiências parecidas. Por causa dessa característica, essas pessoas que foram concebidas da metade da década de 1950 à metade da década de 1960 tornaram-se conhecidas como Geração Baby Boom.

No mundo, presenciaram a ida do homem à lua, a Guerra Fria e as inflações elevadas. Mas talvez o acontecimento mais marcante tenha sido a invenção da televisão, tornando-se grande força mensageira e mobilizadora da sociedades, com velocidade e eloquência que não era possível obter nos outros meios de comunicação até então existentes.
Nos Estados Unidos, assistiram a morte de JFK, Kennedy e Martin Luther King.
No Brasil, enfrentavam a censura, a ditadura militar e o movimento pelas "Diretas Já".

O vídeo acima foi feito pela Sony para homenagear essa geração


Romperam com as tradições familiares e passaram a viver a juventude de uma forma que as gerações anteriores não tinham experimentado. Antes deles, as pessoas constituiam famílias no início da juventude. Mas essa geração casou tarde, depois de viver uma juventude onde faziam tudo o que tinham vontade. Assim, foram às ruas lutar pela liberdade sexual, pelos direitos civis e pela paz (em tempos de Guerra do Vietnam e Guerra Fria). Por isso, também eram conhecidos pelo V de Paz e Amor.

A música foi uma grande aliada dessa geração, na transmissão de seus valores ou simplesmente como forma de extravasar suas ideias. Assim surgiu o Rock and Roll, com estrelas como Elvis Presley, Beatles, Rolling Stones, Pink Floyd, Led Zeppelin, The Doors. No Brasil, chamavam a atenção os festivais de músicas, a bossa-nova, a jovem-guarda, a tropicália, o Rock in Rio, com estrelas como Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso e Roberto Carlos.

Não tinham apego à moda: na realidade, criaram modas a partir de seu jeito desapegado e naturalista, construído a partir do básico.

Foi nessa geração que as mulheres ingressaram no mercado de trabalho, quebrando paradigmas e conquistando espaços até então inéditos. Os homens continuavam fazendo carreira numa única ou em poucas empresas, sendo disciplinados, vestindo a camisa delas, valorizando a ética, sendo otimistas. Acreditavam no valor da experiência, mas não tinham nenhuma preocupação com a inovação ou com o empreendedorismo.

Dessa forma, suas carreiras eram focadas em compromisso, segurança, fidelização à empresa, cumprimento do dever, resistência à pressões e resultados a curto prazo. Tal postura se comprova quando se aposentam: não raramente voltam à atividade atuando como consultores.

Hoje, têm dificuldade em lidar com a tecnologia, escandalizam-se de como o mundo se tornou consumista e lamentam a artificialidade com o qual os valores são cultivados. Gostariam de resgatar as ideologias do seu tempo, ao mesmo tempo em que condenam o individualismo dos mais jovens.

Nos dias atuais, eles, que foram grandes consumidores de bambolês e frisbees, dispensam ambientes com excesso de estímulos aos sentidos. Pelas limitações de sua condição etária, passam a ter dificuldades em discernir as cores, em visualizar letras pequenas, em manusear objetos e também sofrem com tendências a obesidade.

Buscam produtos autênticos, que tenham significado, que os ajude a se tornarem pessoas melhores. Não se apegam a marcas, grifes - não estão buscando reconhecimento social, mas crescimento interior.

Além disso, querem atendimento personalizado, querem ser ouvidos, compreendidos. E não simplesmente serem tratados como estatísticas ou agrupados em classes de indivíduos ou, ainda, pior: serem identificados por um número ou protocolo. Quem quiser vender ou prestar serviços para eles devem pensar nessas limitações.