segunda-feira, 29 de março de 2010

"Não me ofereça coisas..."

Na semana passada fiz um comparativo entre produtos e soluções. A proposta era focar na necessidade do consumidor, em atender suas expectativas, seus desejos. Isso é o mínimo que se espera - ir além é que deve ser o desafio.

A fim de aprofundar ainda mais os conceitos apresentados na ocasião, trago um pequeno texto já bastante difundido, de autor desconhecido. Ele aborda de forma bastante clara a relação dos benefícios com seus produtos.

"Não me ofereça coisas...
Não me ofereça sapatos, ofereça-me comodidade para os meus pés e o prazer de caminhar.
Não me ofereça uma habitação, ofereça-me segurança, conforto, ambientação, boa vizinhança e um lugar que prime pela limpeza e felicidade.
Não me ofereça livros, ofereça-me horas de prazer e o benefício do conhecimento.
Não me ofereça ferramentas, ofereça-me o benefício de fazer coisas bonitas.
Não me ofereça móveis, ofereça-me conforto e tranqüilidade de um ambiente aconchegante.
Não me ofereça coisas, ofereça-me idéias, emoções, ambiência, sentimentos e benefícios.
Mas, definitivamente, não me ofereça coisas...”
O exemplo mais atual que me vem a mente quando penso em produtos em que os bens são descartáveis e os benefícios têm longa vida é o dos compact discs. É assim que vejo, porque a tecnologia tem feito com que o tipos de mídias mudem com muita frequência, rapidamente se tornando obsoletas. Durante muito tempo tivemos os long plays (LP) e as fitas K7. Mas com a chegada dos CDs e a possibilidade de convertê-lo em arquivos MP3, tudo mudou. Ficou mais claro que realmente o CD, enquanto disco, é apenas uma mídia, isto é, um meio. O fim é realmente é o seu conteúdo, a música, que pode ser copiada para outras mídias.

No meu entendimento, eu compro um CD hoje para prestigiar o arquista, para que continue produzindo músicas que se traduzam em mim como alegria, descontração, energia. Em contra-partida, adquiro os direitos de uso das músicas gravadas na mídia, para que possa escutá-la em iPod, no carro ou num dos computadores sem ter que ficar levando o CD de um lado pro outro. Desta forma, o CD termina ficando apenas como comprovação da aquisição e fonte primária dos arquivos, mas do ponto de vista do uso e do benefício, torna-se praticamente desprezível.

Portanto, o produto tangível é descartável, mas o benefício adquirido é amplamente utilizado.